Uniformes, medalhas, capacetes, documentos e uma infinidade de objetos relacionados à Revolução Constitucionalista de 1932 compõem a incrível coleção do publicitário e músico paulistano Ricardo Della Rosa, de 38 anos.

Fotos e postal trocados entre a família de Ricardo durante a guerra
A Revolução Constitucionalista de 1932 foi uma revolta de militares e voluntários paulistas contra a ditadura de Getúlio Vargas. Após o então presidente abolir o Congresso Nacional e anular a Constituição, um exército de cerca de 20 mil homens rebeldes se uniu neste que foi o maior conflito armado do século 20 no Brasil. Após três meses de guerra e mais de 800 mortes oficiais, São Paulo se rendeu. Em 1934, foi publicada a terceira Constituição brasileira.

- Documento e carta do acervo de Ricardo
Quer saber mais? É só entrar no blog que Ricardo mantém sobre o assunto, o Tudo Por São Paulo 1932. Ali, é possível conhecer um pouco mais da história do movimento e a coleção, que hoje conta com cerca de 500 itens. “Cada peça tem sua história, o que me obriga a pesquisar sempre para manter o blog atualizado. Às vezes pego o carro e viajo só para checar informações sobre um determinado item” revela.

Os capacetes são os xodós de Ricardo
O ato de colecionar também fez com que Ricardo aprendesse a conservar as peças. Fardas, capacetes, fitas de medalha, papéis e fotos exigem cuidados específicos. “Um capacete, por exemplo. Você tem de cuidar do aço para que ele não oxide e do couro para que não seque.”
E como uma coleção que se preze está sempre em construção, Ricardo costuma frequentar feiras de antiguidades em busca de novas peças. Foi em uma dessas feiras que ele conseguiu um dos itens mais valiosos de sua coleção: “É um quadro original de José Wasth Rodrigues [pintor que, entre outras coisas, criou o brasão da cidade de São Paulo em parceria com Guilherme de Almeida, em 1917, e o brasão do Estado de São Paulo, em 1932]. A tela é uma alegoria única que mistura técnicas diferentes, como aquarela, nanquim e colagem, traz a bandeira e o brasão de São Paulo e ainda a foto de um soldado no centro”, descreve.

Quadro original de José Wasth Rodrigues homenageando combatente
Curioso como é, Ricardo não sossegou até descobrir a história do rapaz da foto. “Ele foi atingido por um tiro fatal em uma batalha em Capão Bonito [cidade localizada a 237 km de São Paulo]. Achei também o túmulo dele, que fica no Cemitério São Paulo [na zona oeste de São Paulo] e é outra obra de arte”, revela. Quando Ricardo viu o quadro na feira pensou até em vender o carro para poder comprá-lo. Não foi preciso, já que o vendedor desconhecia o que tinha em mãos e cobrou um precinho bem camarada.

Ricardo posa em meio a seu tesouro
Essa e outras peças podem ser vistas no blog, que recebe cerca de 150 unique visitors por dia, entre eles, professores que usam o conteúdo do blog na sala de aula. O colecionador diz que gostaria de expor as peças publicamente, com toda a infraestrutura para acomodar seus tesouros. “Tenho ciúme da minha coleção, daí o cuidado com cada peça”, diz ele, que adoraria montar a mostra em 2012, quando se comemoram os 80 anos da Revolução de 32.
Michelle Navarro
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Comentários
Que acervo soberbo esse do Ricardo!
É reconfortante saber que alguns dos nossos jovens se preocupam com a preservação da nossa memória.
Meu biso também participou desta guerra e na casa de minha vó tinham objetos parecidos. Que bom que o Ricardo guarda isso tudo!!
Sou de m.guaçu S.P. tambèm coleciono
algumas peças de 1932 que eu encontrei
aqui na região,em TRINCHEIRAS NA DIVISA DE São paulo e m.g.
Sou amante da hestoria de 1932 e costumo procurar fraguimentos em TRINCHEIRAS NA REGIÂO divisa de S.p.com.M.G.tenho encontrado cartucho e carregador
GONÇALO
minha mãe queria saber como que fais para ter a caleção inteira da cozinha regional brasileira minas gerais