
Os convites remetem às emoções vividas por Ovadia
Glamour, paetês e luxo eram indispensáveis na vida noturna dos anos 80, na capital paulista. E foi esse ambiente de muito brilho e badalação, recheado de celebridades e de figuras do high society, que encantou o colunista social, relações-públicas e assessor de imprensa Ovadia Saadia, 49 anos. “Tinha 20 anos quando decidi que era nesse mundo que queria ficar”, afirma. Como recordação desse período áureo, Ovadia guarda mais de 5 mil convites de eventos.
De origem egípcia, Ovadia chegou a São Paulo com a família, a bordo de um navio, nos anos 60. Aos 18 anos, ajudava o pai na papelaria da família. Era mau aluno e não sabia o que fazer da vida. “Ficava trancado no meu mundo, não me interessava por nada, o típico perfil de um looser”, descreve.
Mas sua vida iria mudar quando já assinava a coluna social do jornal Resenha Judaica, em 1981, e bateu na porta da nova boate da cidade, o Regine’s, ainda em construção, e pediu emprego à própria Madame Regine, dona da franquia homônima de boates. “Bendito dia em que peguei dois ônibus e bati na porta do Regine’s. Se não, ainda estaria trabalhando atrás de um balcão na papelaria”. Depois do Regine’s, foi assessor e relações-públicas de boates e hotéis luxuosos, tanto em São Paulo, como em Paris. E, claro, não perdia uma festa do grand monde.
Hoje, sua vida é bem mais tranquila. Ao remexer nas caixas de convites, Ovadia relembra, saudoso, de todos os momentos que viveu: “Conheci artistas, como Alain Delon e Dalida, e cheguei a ficar riquíssimo”. Apesar das boas lembranças, ele reconhece que houve um momento em que mergulhou fundo nas festas: “Nesse mundo, tudo é excessivo: intrigas demais, pessoas demais!” Hoje, diz, o clima das festas não é o mesmo de sua época: “A gente dançava muito, dava risada, conversava a noite inteira. Hoje os jovens bebem mais, tudo mudou”, opina.

Um pequeno amontoado dos mais de 5 mil convites da coleção
Convites de inagurações de restaurantes que faliram, de casamentos que não deram certo, de boates que não vingaram. As histórias, impressas em papel timbrado, contam, além do desenrolar da vida noturna da cidade, a revolução que tomou conta da indústria gráfica. “Era especial receber um convite, com todos os detalhes e caprichos. Hoje é tudo por e-mail”, lamenta.
Reportagem por Leticia Born (leticia.born@abril.com.br)

Comentários
Que maravilha histórica atual! Parabens
Luciana
Grande mestre, sempre querido em todas as festas do Brasil e do mundo
gostaria de saber se alguém coleciona a revista nova escola ,pois, estou precisando de uma que é os 45 pensadores da educação…