
Antonio mantém seu tesouro organizado em sala climatizada e com desumidificador de ar (Foto: Arquivo pessoal)
Trinta anos se passaram desde que Antonio Borba jogou videogame pela primeira vez. A paixão foi tamanha que, hoje, esse empresário paranaense, especialista em tecnologia, é considerado o maior colecionador de Atari no Brasil. O título, reconhecido pelo RankBrasil, em 2006, não é para menos – são incríveis 1.700 cartuchos, 50 consoles, mais de 100 controles e quatro máquinas de fliperama, entre outros itens.
Num joguinho rápido, Antonio Borba deu a seguinte entrevista ao Loucos:
Como foi a experiência com o seu primeiro Atari? A paixão foi instantânea?
Eu tinha entre 7 e 8 anos quando ganhei o primeiro Atari do meu pai. Eu já tinha o Telejogo II, da Philco/Ford [lançado em 1978], e era viciado em fliperamas. O Atari foi uma paixão absoluta, sonho de criança mesmo.
Como começou a colecionar?
Aos 31 anos, descobri, em sites de leilão, que havia um vasto mercado de videogames antigos. Comprei o primeiro Atari, o segundo, cartuchos e controles e foi aí que a compulsão tomou conta. Não parei mais, porque junto com a diversão, resgatei toda a história do console, seu valor histórico, além de conhecer pessoas e colecionadores no mundo todo. Hoje tenho amizade com os maiores colecionadores do Brasil e do mundo.
Você ainda abastece a coleção? Como faz para conseguir itens novos?
Ela está praticamente parada pela minha falta de tempo. Eventualmente, adquiro um ou outro item raro, mas minha atividade profissional acaba por restringir minha dedicação ao hobby. Além dos sites de leilão, recorro a fóruns e contatos diretos com outros colecionadores para conseguir novos itens.
Para jogar, você prefere o Atari ou um videogame mais moderno?
Moderno. É mais desafiador, os recordes ficam registrados online, interajo mais com amigos. O Atari é uma experiência retrô, de se isolar numa sala, curtir, mas ao desligá-lo, tudo se acaba. Não há memória, savegame ou registro. Então, o Atari é nostalgia, mas não é meu videogame preferido para jogar.
Qual é o item mais valioso, raro ou que deu um supertrabalho para adquirir?
Há vários, mas tem um “set” de cartuchos em particular foi muito difícil. Levei três anos para completá-lo, tive que comprar um cartucho da Inglaterra e, para adquirir o mais raro, investi muito dinheiro e uma grande “manobra” para convencer as pessoas certas. Neste ramo, não basta ter dinheiro e querer comprar. A pessoa precisa querer vender para você.
Qual a parte boa e a ruim (se houver) de ter uma coleção tão grande?
A boa não preciso nem falar: o orgulho de tudo que conquistei, a satisfação, poder jogar, receber amigos… Mas, sobretudo, o conhecimento que adquiri no processo de completar a coleção. O lado ruim é que o esforço para mantê-la é grande… São muitos cuidados e preciso ter um espaço adequado para acomodá-la.
Como você faz para armazenar e conservar os consoles e os cartuchos?
Tenho duas salas especialmente para isso, com ar condicionado e desumidificador. A limpeza regular também é importante.

Coleção completa de jogos do Atari 7800, incluindo os raros Tank Command e Water Ski (Foto: Arquivo pessoal)
Quando dá aquela saudade, você joga com os Ataris ou tem aquele ciúme de colecionador e prefere não mexer no tesouro?
Eu não me importo nem um pouco de mexer e acho mesmo que eles foram feitos para jogar. Até por que, se os equipamentos ficarem desligados por muito tempo, corro o risco de pifarem de vez. Só não jogo mais por pura falta de tempo e também porque adoro jogar os videogames atuais.
Qual é o seu jogo preferido – quando criança e hoje?
Há vários que me marcaram por diferentes motivos. O mais curioso é que hoje alguns deles são bastante simplórios. Na época em que foram lançados, um mundo de fantasia era expresso nas embalagens e rótulos dos cartuchos, com ilustrações muito ricas, que trabalhavam a mente das crianças. Jogávamos neste mundo de fantasia, já que os recursos gráficos dos jogos eram bem modestos. Independente disso, um dos meus jogos preferidos é Kaboom! – também gosto muito do Pressure Cooker. Se você perguntar isso para a maioria dos fãs de Atari, obterá respostas mais comuns, como River Raid, Frostbite ou HERO.
Com a diversidade de consoles, mídias, tipos de jogos que existe hoje, acha que é mais difícil para uma criança se apaixonar por um em especial, como ocorreu com você?
Na verdade só existem três videogames “de verdade”: Wii, X-Box e Playstation 3. Porém os jogos são tão variados que a plataforma (console de videogame) não importa tanto. Um jogo moderno para X-Box ou PS3 é o mesmo, sem mudanças. Isso não acontecia no passado, os videogames possuíam identidade, recursos específicos e os jogos tinham “a cara” do videogame. Sei reconhecer um jogo de Atari ou Odyssey, sei dizer a diferença na hora, não importa qual seja o jogo. Hoje em dia, a tela de jogo não identifica para qual videogame foi feito. Portanto, é difícil. A criança pode se apaixonar por um certo jogo, mas não vai se apegar ao videogame, como acontecia no passado.
Tem alguma dica para colecionadores que estão começando agora?
Tenha foco e se concentre no que gostaria de colecionar. Além de exigir dedicação, o mundo do colecionismo é muito amplo e caro, por isso é legal manter o foco e evitar comprar de tudo. Por exemplo, você pode colecionar cartuchos de Atari importados ou, se for colecionar nacionais, escolher apenas algumas marcas. Se você quer ter vários videogames antigos, talvez seja melhor ter apenas um console de cada com os jogos mais famosos de cada marca, para evitar expandir muito o leque, e assim vai. Eu tenho outros videogames, mas meu foco sempre foi o Atari. Optei por ter nacionais e importados, e confesso que foi um pouco de exagero pois investi muito para chegar onde estou.
Conheça o site da coleção de Antonio.
Michelle Navarro
* * * * *
Você costuma colecionar alguma coisa? Conte para nós a sua história! Envie para colecionadores@abril.com.br. Você pode ganhar um kit da Abril Coleções!















Comentários
Não há nenhum comentário. Seja o primeiro!